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Debate: PT teme desgaste com ausência de Lula; Flávio treina tom moderado

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não comparecer ao último debate eleitoral do primeiro turno, a ser realizado pela TV Globo, gerou preocupação entre aliados e interlocutores próximos à sua campanha. A partir da ausência do petista, o candiato Flávio Bolsonaro (PL) confirmou sua ida e pretende se mostrar como um candidato com propostas sólidas e de perfil moderado, mirando eleitor indeciso, e se prepara também para responder perguntas incômodas à sua campanha.

Além de Flávio, estão confirmados para o debate desta quinta-feira (01) os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

Preocupações da campanha de Lula

A principal preocupação dos aliados do presidente reside no chamado “campo vazio”. A emissora já anunciou que, conforme as regras do evento, o espaço destinado a Lula permanecerá vago durante o debate.

Para os interlocutores da campanha, isso representa uma exposição negativa, visto que os adversários poderão explorar livremente a ausência, afirmar que o candidato se recusou a prestar contas à população e até chamá-lo de “fujão”.

Além disso, Lula tende a ser criticado ao longo de todo o programa sem ter a oportunidade de apresentar qualquer contraponto.

No lugar do debate, Lula confirmou participação em uma entrevista em formato de podcast. A avaliação interna é de que o alcance desse formato é significativamente menor do que o de uma transmissão em TV aberta, especialmente após uma novela, que tende a atingir o público mais idoso, segmento que os aliados consideram estratégico.

O aconselhamento de parte campanha era para que o mandatário comparecesse ao debate, mas pesou para a decisão a avaliação pessoal do petista de que o modelo de debate no Brasil “caducou”.

Lula reclama que, entre uma fala e outra no debate, não há tempo para se defender de ataques de outros candidatos, o que se agrava no cenário em que todos os outros participantes são de direita e centro-direira. O petista afirma ainda que os adversários utilizam o espaço somente para gerar “cortes” para redes sociais.

Objetivos de Flávio no debate

Mesmo sem a presença de Lula e embora os demais adversários sejam de direita, há uma expectativa de que Flávio seja questionado sobre alguns pontos incômodos para sua campanha.

A avaliação é de que os outros candidatos podem explorar polêmicas recentes como a relação com o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, com o pedido de patrocínio para o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, e outas mais antigas como as suspeitas sobre rachadinhas em seu gabinete no Rio de Janeiro.

O treinamento para responder a esses assuntos acabou virando uma constante ao longo da campanha, mas foi repassado nestes últimos dias. A intenção é mostrar que ele não tem nada a esconder e que poderá explicar qualquer questionamento. Para a campanha, transmitir confiança e segurança será fundamental.

Outro objetivo de Flávio no debate é esclarecer que nunca teve a pretensão de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, o que poderia impactar nos votos recebidos de católicos e evangélicos, para mais ou menos.

Na última quarta-feira (30), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu manter fora do ar todas as publicações que vinculem diretamente o candidato com a Fake News sobre a Santa.

Com a participação do senador, a campanha ainda busca convencer o eleitor de que é um candidato com um programa de governo robusto. A avaliação é de que a apresentação de propostas dependerá muito do ritmo do debate e do comportamento dos adversários. No entanto, a ideia é reforçar propostas na segurança pública, economia e proteção das mulheres.