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Argentina critica redução de representação diplomática do Brasil

A Argentina criticou na 3ª feira (4.ago.2026) a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de rebaixar o nível da representação diplomática entre os países. Em nota, a chancelaria argentina disse que o Brasil “está se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas”.

O Itamaraty informou que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, seguirá no Brasil até que o presidente argentino, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), pare de ofender autoridades brasileiras. O ministro-conselheiro Eduardo Uziel, 2º em comando na embaixada, substituirá Bitelli nesse período.

No comunicado, a chancelaria argentina afirmou que a decisão foi “adotada unilateralmente” pelo governo brasileiro. Disse que, nos últimos anos, houve “numerosos episódios” de manifestações políticas e apoios cruzados entre os líderes dos 2 países, mas que a Argentina não transformou essas divergências em um incidente diplomático.

A chancelaria declarou que as relações entre os Estados devem responder aos “interesses permanentes” dos povos e não ficar subordinadas às “necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno”.

O motivo da decisão foi a escalada de tensão entre Lula e Milei, iniciada no fim de julho. Durante a convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, Milei afirmou que o Brasil sofre com o “risco Lula” e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.

Lula respondeu em 27 de julho, ironizando as falas do argentino. Ao ser questionado por jornalistas sobre o que achava das declarações de Milei, disse: “Eu? Quem que é esse cara?”. Milei voltou a chamar Lula de “ladrão” e “corrupto” em entrevista ao programa “La Cornisa”, da LN+, exibida no domingo (2.ago).