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Entorno de Lula fala em “tietagem” e defende ignorar encontro Flávio-Trump

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT (Partido dos Trabalhadores) decidiram ignorar o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (26), na Casa Branca. Aliados do presidente brasileiro afirmam que a visita não passou de uma “tietagem explícita”.

O entendimento tanto no Palácio do Planalto quanto no partido é que comentar a conversa entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o líder republicano ajuda Flávio a desviar o foco da crise desencadeada pela revelação dos contatos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

Desde que o site Intercept revelou que Flávio pediu patrocínio ao ex-banqueiro, acusado de uma fraude bilionária, para o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro, o senador viu Lula disparar à frente nas pesquisas de intenção de votos.

O eventual avanço da relação entre o pré-candidato do PL e Trump segue sendo monitorado, mas o Palácio do Planalto avalia que o diálogo aberto entre o presidente Lula e o presidente norte-americano pode neutralizar uma possível influência bolsonarista.

Em declaração à imprensa após a reunião, Flávio destacou ser a primeira vez que o presidente republicano recebe um pré-candidato à Presidência do Brasil. O senador estava acompanhado do irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo.

No rápido encontro, o filho 01 de Bolsonaro disse ter entregue documentos a Trump e defendido que facções criminosas como CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) sejam classificadas como organizações terroristas. Flávio afirmou ainda ter tratado sobre investimentos em terras raras e o tarifaço a produtos brasileiros.

Interlocutores do presidente Lula minimizam que o gesto de Trump possa ter algum tipo de impacto para o eleitorado de centro. A avaliação é que a visita não apresentou resultados concretos e não tem poder para furar a bolha bolsonarista.

Outro ponto explorado pelo entorno de Lula é a foto em que Flávio aparece ao lado de Trump. O presidente dos EUA aparece sentado e sorrindo, com as duas mãos sobre a mesa. Para aliados do petista, a imagem deixa clara uma posição de “subserviência” do senador a Trump.

Petistas avaliam que a ida de Flávio junto com Eduardo e Paulo Figueiredo pode acabar resultando em um “tiro no pé”. Os dois atuaram nos Estados Unidos pela aplicação de tarifas a produtos brasileiros e por sanções a autoridades brasileiras.

Foi justamente ao adotar um discurso de defesa da soberania, em meio ao tarifaço de Trump, que o presidente Lula conseguiu aumentar sua popularidade.

CNNBrasil