Contexto técnico
Fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela reportagem garantem que a “alfinetada” de Lula não deve atrapalhar negociações entre Brasil e EUA em relação ao tarifaço.
Segundo os interlocutores do governo, neste momento, as discussões ocorrem no contexto técnico, com uma reunião prevista para esta semana entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O encontro deve ocorrer no Canadá, durante uma reunião do G7.
O cientista político e coordenador de Análise Política na BMJ Consultores Associados, Lucas Fernandes, avalia que a declaração não tem potencial de tensionamento com os Estados Unidos.
“Lula não pronunciou os Estados Unidos em nenhum momento, e a gente não tem nenhuma comitiva do governo norte-americano aqui no país. Se a gente tivesse, aí sim, poderíamos ter atritos, porque naturalmente os interesses do governo Trump e do governo Lula são distintos. Trump não tem demonstrado interesse em financiar ações sustentáveis, em manter uma participação ativa dos Estados Unidos na COP”, ressalta Fernandes.
“Ela vai na direção de países que são grandes potências, que têm um nível de desenvolvimento muito alto, mas que têm investido cada vez mais no gasto de guerra. Dá para a gente separar em dois campos. A gente tem, por um lado, os Estados Unidos e os países europeus, que começaram a gastar muito mais em guerra desde que a Rússia entrou em conflito com a Ucrânia. E esse gasto aumentou com a volta de Trump à Casa Branca”, analisa.



